domingo, 15 de junho de 2008

Primeiro dia

Da chegada, da humilhação em Paris e outras impressões

Emfim, cheguei! Depois de 12 horas de vôo, cá estou eu, devidamente instalada em um hostel no centro de Barcelona, bem ao lado de La Rambla (a avenida principal e mais movimentada da cidade) e do Park Güell, uma das muitas belíssimas obras de Antoni Gaudí. Mas antes de entrar em tanto detalhe, vamos falar da viagem.

O vôo saiu de São Paulo por volta das 17h, quase sem atraso. Ao chegar na minha poltrona, descobri que teria como colegas de corredor dois brasileiros gente finísima, então eu já fui logo me apresentando e ficamos amigos, claro. Eles eram de Guarulhos e iam passar 24 dias de férias pela Europa. E assim, entre os assentos apertados da classe econômica, conversamos e comemos, até cada um entrar no seu próprio ritmo e tentar cochilar pelo resto da viagem.

Chegamos em Paris às 8:35h, exatamente. Após a aterrisagem perfeita, despedi-me de meus amiguinhos e fui procurar o portão da minha conexão. Andei, andei, peguei várias filas, até que cheguei na Alfândega e tudo mudou de figura.

Algumas considerações sobre o aeroporto de Paris:
- O lugar é gigantesco, novinho em folha, quase dava para sentir cheiro de tinta fresca. Tinta lilás que cobria a maioria das paredes de lá.
- As portas pareciam cinematográficas. Tudo bem, portas que se abrem não são necessariamente uma novidade, mas abrirem para dentro é que me deixou de cara!
- Todos os funcionários falavam a língua natal, inglês e espanhol fluentemente. Adorei, porque nas duas primeiras eu sou uma negação, mas já na terceira eu arranho (e bem até.)
- Há muitos indianos trabalhando por lá, fiquei espantada.

- Como o aeroporto é imenso, esteiras rolantes ajudam os transeuntes a chegar mais depressa a seus portoes. Adorei!!!

Chegando na alfândega, começou, para mim, um pequeno matírio. Ao ver que meu passaporte não possuia nenhum visto, pediu (primeiro em francês, depois em espanhol) para que eu dissesse qual a minha finalidade em Barcelona. Depois perguntou quantos dias pretendia ficar na cidade e se tinha onde me hospedar. Eu respondi a tudo e ele pediu o vaucher da reserva no hostel. Tudo em mãos. Senti um pequeno frio na barriga com as perguntas, nada demais. Foi fácil. Aí, fui passar pelo detector de metais…e ele apitou.

Uma policial falou em francês um monte de groselha até que eu dissesse que só falava espanhol. Aí foi que entendi que ela queria me revistar. Deixei, claro. Ela mesma trouxe minha bolsa e pediu para eu abrir. Quando viu uma garrafa de água, pediu para que eu a bebesse…como se achasse que era alguma droga, veneno ou sei lá o quê. Ficou me olhando de cima a baixo enquanto eu, tentando aparentar tranquilidade, tomei tudo.

Depois pediu para eu tirar os sapatos e os passou novamente pelo detector de metais…Tive de ficar descalça um bom tempo, enquanto ela revistava tudo o que podia. Um senhor negro revistou o restante das minhas coisas e pediu meu passaporte enquanto a policial (detalhe interesante: ambos eram negros como a noite!) me fazia toda sorte de perguntas. O que eu iria fazer em Barcelona? Quando eu disse que iria estudar ela desconfiou, disse que eu já falava muito bem. Foi aí que eu, com meu inconfundível jogo de cintura, disse que era jornalista e que buscava fluência em outro idioma para minha profissão. Da tensão inicial passamos a uma conversa quase amigável. E durante isso tudo eu ali, de pé, com a bolsa escangalhada e sem sapatos! Quando ela percebeu, me devolveu o par e desejou-me boa viagem. Ufa! Passei! Agora faltava mais uma barreira: Barcelona.

Peguei o vôo e já nem ligava mais para as pequenas turbulências. Só me liguei que estava no alto quando um comissário de bordo mega-super-hiper gato tirou minha atenção do livro que eu estava lendo para perguntar se eu queria comer. Imagina! Tacaram tanta comida na gente naquele vôo do Brasil até ali que se eu comesse mais ou explodia, ou o avião caía de tanto peso.

Quando finalmente aterrissei em Barcelona senti uma alegria diferente de tudo que já vivi. Fiquei embasbacada com o letreiro do aeroporto, como se não acreditasse que havia travessado o Atlêntico e estava ali, na Espanha. Era o fim de uma saga de mais de 12 horas e o começo de outra. A alfândega me esperava e suas intermináveis perguntas. Peguei minhas malas. Coração na mão, dor de barriga, tudo…Passei por uma porta, por outra e quando vi já estava do lado de fora do aeroporto, procurando um táxi. E assim, sem mais, entrei na cidade que escolhi para novo lar. Foi mais fácil do que imaginei…

Algumas considerações sobre o aeroporto de Barcelona
- Ele é todo preto. Vidros filmados, mas é lindo.
- Nunca ouvi tantos idiomas e caras diferentes juntas. Achei fantástico.

- Por dentro ele lembra o aeroporto de Guarulhos.

Peguei um táxi que me trouxe até o hostel que vai me abrigar por uma semana. Aqui chegando, quando perguntei pela minha reserva, vi que comi bola: fiz reserva a partir do dia 14, e não do dia 15 (minha chegada de fato). A atendente disse que como eu não havia ligado, tinha cancelado minha reserva. Pedi desculpas e ela conseguiu uma vaga para mim. Mesmo com uma mala com quase 34 kg, o rapaz da recepção não quis nem saber de me ajudar. Hospitalidade zero. Me disse onde ficava o elevador e eu que me virasse. De cara me passou algumas informações importantes, do tipo “se vira”. Então eu fui me virar.

Deixei as coisas no quarto (compartilhado com mais 5 gurias que das quais só vi 4 até agora) e fui andar pela cidade. As primeiras impressões sobre o povo são engraçadas. É tanta gente misturada…Estou numa área repleta de indianos. Gentes e restaurantes, claro. Quando fui comprar um isqueiro, adivinha? O indiano da loja, um jovem, já quis logo saber de onde eu era e o papo rolou solto. Inclusive até me convidou para ir a uma balada hoje, com uns amigos. Deu-me o telefone e tudo, mas acho que vou declinar. Não pretendo gastar dinheiro tão cedo com supérfluos…

Da loja de conveniência para La Rambla (com os devidos conselhos de cuidado com a bolsa) foi um pulo. Apinhada de gente, a avenida é um centro onde tudo acontece. Muitos caricaturistas, pintores, mágicos, dançarinos…e turistas. Todos eles. Todos mesmo. Andei mais um pouco até Port Vell, para ver os barcos e o mar. Tirei algumas fotos (inclusive do mágico, que era um gato!) e levei algumas cantadas. Um homem teve a cara de pau de parar do meu lado, tentar falar comigo em espanhol para no final, ao ver a minha recusa em falar (achei o tipo um tanto estranho) dizer que eu era “mucho guapa”. Sabe que gostei.

Voltei para o albergue e dormi algumas horas. Com o relógio biológico todo zuado, acordei às 21:20h, tomei um banho e desci para mandar notícias. Ainda não sei o que farei esta noite. O albergue está lotado de gringos, quem sabe eu…enfim, a seguir, cenas.

3 comentários:

Édnei Pedroso disse...

Adorei tudo. Acho que não me sentia assim desde que minha irmã aportou por Portugal, há 3 anos.

Assim como??? Ah, não me faz pergunta difícil.

Beijos.

Monica disse...

Sabe como??
Ai AI ai!
Aguarde!

Ady Cavalcante disse...

Emocionante!!! E o melhor, é que li primeiro!!! Beijos