segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nao foi um sim...foi um "claro!"

Foram 7 dias de agonia. Sete dias procurando uma maneira de pedir um favor. É que nao era apenas um favor. Era O favor. De tanto dar voltas no pensamento até a minha menstruaçao desceu antes do tempo. Nao dava mais pra adiar. Entao resolvi que de ontem nao passava. Fomos a nossa restaurante favorito aqui de Barcelona porque eu queria um ambiente neutro. Nos sentamos um em frente ao outro, como sempre. Pedimos os pratos, veio o vinho e depois do brinde, comecei:
- Jose, tô a mais de uma semana procurando uma maneira de te perguntar uma coisa entao como nao encontrei uma muito boa vou falar logo, assim, de cara, pra ver se sai: você quer casar comigo?
- Claro, perli.
- ...
Quando ele respondeu eu ainda estava com a cabeça abaixada porque a vergonha tava queimando as minhas bochechas. Escutei aquele "claro, perli" e levantei os olhos perguntando:
- Entao sim?
- Claro que sim, meu amor. Eu já estava procurando mesmo por internet o que era preciso, na questao dos documentos, desde que você me comentou da advogada...
Fiquei passada. Quase nem saiu o "gracias", de tao surpresa com a resposta que ele já tinha ali, na ponta da língua. Sempre soube que Jose era um homem maravilhoso, no sentido de caráter, de bondade e, claro, de ser um namorado estupendo. Mas ainda assim fiquei muito surpresa com a rapidez da resposta e em saber que ele já estava procurando o que era necessário pra gente resolver a minha situaçao aqui. Nao conversamos muito sobre os detalhes porque logo chegou Carmelo e combinamos de nao comentar com ninguém pra que nao fiquem fazendo comentários ou dizendo coisas que nao têm que dizer. Afinal de contas somos maiores, vacinados e nao devemos satisfaçao a ninguém. Os únicos que sabem, até agora, sao meus pais, umas amigas e os poucos leitores desse blog. Nao sei se vamos morar junto de fato, se vamos nos divorciar depois de um ano (só preciso estar casada um ano e depois ele pode ser "liberado"). Nao sei nada. Só sei que estou muito feliz por ter encontrado a tao esperada luz no fim do túnel. E ela tem nome: Jose.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eles estao chegando...

Já faz dois dias que noto os sinais. O que mais me estranha é que cada mês eles começam a chegar mais cedo. De momento só sinto as laterais dos dois seios bem sensíveis, no que diz respeito à parte física. Mas a cabeça...Dessa vez (graças a Deus) nao tem nada a ver com ciúmes. Joselito e eu voltamos a estar naquela fase de muito amor, de estar mais juntos, de querer estar cada vez mais pegaditos. O tema agora é outro. Na sexta-feira fui ver uma advogada, tirar minhas dúvidas com respeito à minha legalizaçao na Espanha. Foram duas horas de conversa, de toma de notas, de impressao de folhas e o resumo da história é: antes de ter pelo menos dois anos aqui nao consigo nada. Nem com proposta de trabalho a extrangeria está autorizando contrataçoes de gente de fora. E tem mais: mesmo com dois anos nao tenho garantia de que, mesmo com uma proposta, eu consiga os tais papéis. Com três anos, segundo ela, a coisa é totalmente garantida, porque aí eu demonstro que vivi aqui esse tempo e com um contrato já resolvo o problema. O que me deixou boquiaberta foi escutar, da própria advogada, que o mais seguro e fácil, agora mesmo, é casar. Minha cara caiu no chao, meu ânimo veio abaixo junto. Como podia ser assim? Justo comigo, que já cheguei aqui sendo totalmente contra o casamento por negócio? Porque trabajar com os flyers nao é o pior de todo, me pagam bem, nao me aborreço, mas agora vejo que é um desperdício de talento. Sei que posso fazer muito mais, a putada é que nao me dao nem a oportunidade de tentar, sem o caralho dos papéis! Realmente, nao sei o que fazer...Nao posso sair daqui porque só de pensar que vou me separar do Joselito me parte o coraçao. E tampouco posso continuar mais 2 anos nessa situaçao. Acho que vou a ter que mudar meus conceitos...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Finalmente una barbacoa!

Eu já estava convencida de que nunca conseguiria fazer um churrasco aqui em Barcelona. Primeiro porque nao tenho uma casa com quintal para isso; segundo: o namorado e os amigos da city muito menos; terceiro: com o preço da carne aqui nao ia sair barato, mas...Mas eis que caiu do céu um anjo chamado Antonio. Na verdade ele é amigo de anos do Joselito, inclusive já compartiram piso em um pueblo fora de Barna (quando Jose estudava na Universitat Autonoma de Barcelona). E na semana passada eles combinaram de se ver pela base e eu estava aí também. Conversa vai, conversa vem ele comenta que mora num ático, com uma puta terraça e pergunta quando o Joselito vai poder ir visitá-lo aí. Na hora me piscou na frente dos olhos uma churrasqueira e eu tive que dar uma cutucada de leve nele e dizer: "a gente bem que podia fazer uma carninha na brasa já que ele tem terraça, hein...". Nao precisei de muito mais: meia-hora depois já tínhamos combinado dia e hora para o evento e lá fomos nós ontem para Barbera del Vallès preparar nosso chu-chu. Compramos carne argentina num açougue aqui perto de casa, umas linguiças (que nao eram Aurora mas estavam boas pra cacete!) e umas morcillas (eu nao como mas o Joselito ama). Noooossa, que delícia estava tudo! Joselito se encarregou do fogo enquanto Antonio e eu preparávamos a salada, o pao, a mesa e algum outro detalhe. Para acompanhar a comilança Antonio comprou um Rioja (reserva 2004) que estava dos deuses. Enfim, foi tudo perfeito: boa comida, boa bebida, bom papo e companhia. Valeu a pena esperar tanto mas agora que já sabemos o caminho creio que vamos repetir a dose logo menos.

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Os trabalhos continuam rolando a todo gás, verao em Barcelona causa esse efeito mesmo. Tô até me dando ao luxo de dizer que nao vou a algum lugar ou outro que me chama porque nao quero deixar de curtir a cidade só para trabalhar. É legal ter grana mas é legal também ter tempo pra mim mesma. Tempo até para nao fazer nada (e se esse nao fazer nada pode ser acompanhada, melhor ainda). Sigo procurando algo para fazer pelas manhas, já que os caras do restaurante mudaram meu horário para noite (agora trabalho todas as noites da semana). Se encontro, alguma coisa vou deixar de fazer porque trabalhar 7 dias da semana durante a noite nao é tao legal.

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Depois de 1 ano e 2 meses aqui finalmente tomei uma iniciativa: marquei hora com um advogado para ver o que preciso fazer para legalizar minha situaçao aqui. Sempre tem alguém que te diz uma coisa, logo vem outro que te diz outra, mas no final nao sei onde está a verdade. Marquei uma hora e vou tirar todas as minhas dúvidas. E mais: os donos do Kan Kan estao dispostos a ajudar com um contrato (se nao houver outra maneira, claro) de camarera. Sinto-me muito mais otimista, Joselito mesmo disse pra eu perguntar se ele nao pode me fazer um contrato de alguma coisa, já que é autônomo. Tudo isso vou perguntar para Eli, a advogada, na semana que vem. E seja o que Deus quiser!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um pequeno surto e uma grande família

Sempre sofri de TPM. Nunca sofri de cólicas, nem de dores nas costas, de cabeça, nada, mas em compensaçao meu estado de ânimo passa por uma transformaçao radical. Há meses noto isso, mas dessa vez passou da conta, de tal forma que comecei a chorar na terça-feira à tarde e só parei na quarta-feira à noite. Horrível! E, claro, sobrou pro Joselito, tadinho. O fato é que nao é muito cômodo saber que ele mora numa casa com uma amiga, de anos, com a qual já teve um rolinho no passado. Nao é cômodo, mas é compreensível. Mas nas minhas TPMs nada é compreensível, entao cheguei à conclusao que o melhor para nós dois seria a separaçao. Resolvi tudo sozinha, na minha cabeça e só de pensar já me vinham as lágrimas. Pois muito bem, chamei ele para conversar ontem e botei tudo pra fora. Só de lembrar da cara dele...me corta o coraçao. Claro que no fundo eu sabia que ele nao ia deixar eu terminar só porque ando meio louca esses dias. Mas a expressao e as palavras dele bastaram para me fazerem mudar de idéia. Na verdade só o amor que eu sei que ele sente por mim seria suficiente, mas quando o assunto sao os hormônios femininos o buraco é mais embaixo. No final das contas escutei de novo ele dizer que sou a coisa mais bonita que já aconteceu na vida dele, que me ama, me quer, que comigo está muito feliz e nao precisa de mais ninguém e otras cositas mas. Eu sempre soube que tinha um jóia preciosa como namorado. Ontem essa jóia reluziu um pouco mais. E terminamos tudo como Deus manda: nos amando enquanto lá fora caía uma chuva de estrelas (e quem nao acredita pode procurar na internet para ver que é verdade!).

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Quando planejava minha viagem à Barcelona deixei meus pais de fora porque podia jurar que eles nao iam entender, que iam me recriminar e tal. Nao só nunca fizeram isso como desde entao sempre me deram o maior apoio, para tudo: para seguir aqui ou para voltar, se essa fosse a minha vontade. Já me mandaram grana uma vez que precisei muito, sempre me dizem palavras de ânimo quando nos falamos por telefone (tudo bem que uma vez ou outra minha mae ainda me tira do sério mas isso é porque mae é mae e pronto). Mas hoje, conversando com meu pai, vi que eles nunca vao parar de me surpreender. Comentei com meu pai que tava dando uma verificada nos meus documentos, na minha dívida com o banco e ouvi dele o seguinte: "Tua vida agora é aí, você nao tem que se preocupar com nada daqui. Um dia, quando você aparecer, você se preocupa com isso. Agora o importante é você buscar seu bem-estar aí em Barcelona". Foi a primeira vez que o escutei assumir para mim que minha vida já nao estava mais em Sao Paulo. Fiquei e estou muito feliz. Fora isso andei enchendo um pouco o saco da minha prima Kátia por causa da dívida do banco e ela me botou todos os pingos nos is dizendo: "Quem nao têm bens, nao têm dívida, entao relaxa. Se um dia eles baixaram para quase nada você pensa se vale a pena resolver a parada ou nao". Nossa, que alívio. Nao por nada, porque isso nao me afeta aqui, mas nao gosto de saber que meus velhos recebem carta de cobrança. Mas já que ela, que é advogada e sabe muito bem o que tá falando, e meu pai me disseram pra nao esquentar porque nao tenho motivo me sinto mais leve. A cerveja essa noite vai ter um gosto especial.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Brincando de casinha

Quando o Mau e eu namorávamos e eu ia passar o final de semana na casa dele a gente dizia que "brincava de casinha" porque fazíamos tudo junto: organizávamos a casa, faziamos compras, comida...E agora que Cillian nao está é exatamente o mesmo que ando fazendo com Joselito, com a vantagem de nao ter nem que sair já que é ele quem vem para cá. Passamos os últimos dias pegadinhos, pegadinhos, vendo filmes, tomando café, almoçando e tomando cerveja juntos. Uma noite saímos para visitar o bebê da Esther que nasceu (e é uma coisinha fofa!) e esticamos até o cinema para ver Up. O resto do tempo passamos na cama mas hoje, que ele nao está e nem virá, me sinto mega cansada. Penso em ir para a cama cedo para recuperar o corpo...Tenho que dizer que ter a companhia de Jose, para o que for, me deixa nas nuvens. Fora o fato de ele ser um super namorado é um ótimo companheiro e amigo. Nao há ninguém com quem eu mais goste de conversar e dividir coisas que com ele e cada vez mais noto que a recíproca é verdadeira.

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Como eu já comentei brincando outras vezes a tal da crisis nao afeta aos ilegais. Pois justamente hoje chego ao restaurante e encontro uma italiana reclamando que nao encontrada nada de trabajo de camarera, que se eu souber de algo para avisar aos amigos que trabalham comigo pra ela ver o que rola. E nao é que enquanto repartia meus santos flyers me passa um senhor dizendo que tem uma loja de produtos de informática e me convida para repartir flyers para ele também? Disse que podia me dar comissao pelas pessoas que entrassem e comprassem mas dessa vez vou passar a bola. Com os bicos que tenho já estou bem, nao preciso me matar para ganhar mais grana e conheço gente que tá precisando mais do que eu. Amanha vou passar por lá para conversar e indicar uma colega. Esticando um pouquinho a manta cobre todo mundo, nao é assim?

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Com essa de ter que se espavilar para esplicar em outros idiomas onde está o restaurante, onde está tal rua, como se chega até a Sagrada Família e coisas do gênero, meus idiomas estao melhorando a olhos vistos. Meu inglês nunca foi uma maravilha mas quando a gente se esforça acaba saindo. Pois agora já consigo explicar como se chega a qualquer lugar nesse idioma. O italiano pouco a pouco vai entrando (uma das vantagens de trabalhar para o restaurante) e as perguntinhas básicas já sei fazer, assim como contar e saludar. O catalao é um tema. Ainda nao consegui me inscrever no curso mas sei que uma hora vai rolar. Toda terça rola aqui em casa um intercambio: a Solenn vem ensinar francès (ela é de Paris), o Ronald vem ensinar alemao (ele é chileno mas tem família alema e viveu muitos anos por lá) e o Carmelo...bem, o Carmelo cozinha. Como ele trabalhou em restaurante e tem boas noçoes ele faz o rango da moçada. Tentei assistir a primeira aula de francês e confesso que me pareceu muito difícil. Alemao nem se fala. Acho que vou persistir no italiano antes de me aventurar nas outras línguas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dias de sol e noites de amor

Voltei ontem no final da tarde de Mallorca. Jose e eu fomos na segunda pra ficar só dois dias mesmo porque tanto ele como eu tínhamos que trabalhar. A viagem foi bem tranquila, de aviao sao menos de 30 minutos de vôo. Nao vi quase nada da ilha, ficamos mais em casa para que ele pudesse aproveitar a companhia da família, que ainda mora aí. Comemos bem (o gazpacho da dona Luisa é um arraso!), bebemos um tanto e aproveitamos as noites e as manhas para fazer amor enquanto a casa estava livre só pra nós. O pai dele nos deu umas camisinhas novas de vários sabores (chocolare, maracujá, tropical...) e estreamos todas para saber qual era melhor. Na verdade todas sao interessantes mas o melhor mesmo é poder disfrutar de todas elas com ele. Fomos pra praia apenas uma tarde mas valeu a pena: areia branca e fininha, água do mar azul que nem essas fotos de cartao-postal, impressionante. Todos estavam de acordo de que tenho que voltar mais vezes para ver tudo que nao vi nestes pouquíssimos dias em que estivemos por aí. Sim, voltaremos, só nao sei quanto. O saldo é sempre positivo, afinal viajar com Jose é sempre uma maravilha. De lá trouxe um echarpe que minha cunhada me deu de presente, sobrassada (um embutido feito com carne de porco, picante e pimentao vermelho) e ensaiamada (um tipo de croissant típico da ilha, em forma de rosca). Voltei com vontade de fazer logo outra lua-de-mel...

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Como já havia imaginado, o dono do restaurante italiano aceitou minha proposta e comecei a trabalhar pra ele já na semana passada. Tenho de ir todas as tardes, das 12h às 15h e ele me paga 25€. O velho gostou tanto que mandou fazer flyers para que eu reparta pela noite também. Começo hoje, às 20h até as 22h (nao falamos de grana, mas acho que serao mais 16€) e depois vou pro outro trampo (o de sempre, de quinta a sábado, das 23h às 2h). É um pouco desgastante mas estou amando porque assim vou poder juntar uma grana. Acabei me dando conta que essa vida aqui é muito linda, muito boa mas que aos 28 anos tenho que começar a pensar um pouco no amanha. Nada dessa obsessao da galera que vem pra cá só pra ganhar dinheiro, que vive aqui só pra trabalhar e ganhar em euros. Ainda terei tempo de curtir a praia e de namorar à vontade. O bom é que junto com tudo isso vou poder fazer um pequeno pé-de-meia para qualquer emergência ou para fazer mais viagens quando o verao acabe.

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Este mes inteiro, praticamente, vamos estar somente Karmelo e eu aqui em casa. Cillian foi à Irlanda pro casamento da irma e vai ficar por lá 3 semanas. Cheguei hoje em casa (porque dormi na casa do Joselito de ontem pra hoje) e já fiquei meio embucetada. A pia cheia de louça, a casa toda suja sendo que meu companheiro de piso passou dois dias por aqui só coçando do saco. Comentei com Jose essas paradas que rolam aqui em casa, de que no final das contas sou só eu que limpo e arrumo tudo enquanto os meninos nao estao nem aí, principalmente o Karmelo. Jose me disse pra fazer uma reuniao porque ele sempre foi assim, que as outras pessoas que passaram por esse apê saíram pelo mesmo motivo, a desordem e a sujeira. O que quero fazer mesmo é sair daqui, mas o duro é que nao vou achar outro piso nesta zona e pagando esse valor nem fudendo. Pensei em ir juntando grana com todos os trampos que me aparecem pra quando a Marina volte de Ibiza, sem ter onde morar, nós duas nos coloquemos a buscar um piso. De todas as formas vou ter de aguentar aqui pelo menos mais dois meses. Só espero ter paciência para tanto.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Adeus, Isolda...

Ela se foi. Depois de mais de um ano de amizade, companherismo, cachaçadas e afins Isolda já nao está. Na tarde de domingo desci do prédio para pegar a danada e ir pra praia e, quando olho a árvore onde sempre a deixo atada, nao a vi. Em uns poucos segundos tive um flashback do que aconteceu: cheguei do trampo na madruga de sábado, encostei a bichinha na árvore de sempre, tirei as luzes dianteira e traseira e...subi pra casa. Esqueci COMPLETAMENTE de colocar o cadeado. Assim ficou fácil, até eu se acho uma bicicleta de puta madre dando sopa levo pra casa. Na hora a ficha nao caiu direito, nem senti nada. Mas depois...começou a bater uma saudade, uma coisa estranha. Ainda mais porque era um presente do Joselito (o primeiro de muitos). Tuany e Marina disseram pra eu nao contar pra ele o que aconteceu de verdade, mas como nao curto essa parada de mentira desencanei de inventar histórias. Fui trampar à noite e na saída mandei uma mensagem pra ele dizendo que tava triste. Quando tava chegando em casa ele já tava aqui, me esperando. Foi só ver ele e começar a desaguar. Contei, entre lágrimas, exatamente o que aconteceu. Nao sei se as lágrimas o deixaram mais blando, o fato é que ele foi super compreensivo, disse que isso podia acontecer com qualquer um e tal...Bem, como dizem que Deus sempre fecha uma porta e abre uma janela, na noite passada mesmo já descolei um carnê do bicing (as bicicletas públicas de Barcelona, que só têm direito quem da cidade ou cidadao europeu, ou seja, eu nao posso ter) e vou usando essas até comprar uma nova. Ficou a saudade e as histórias para contar.


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Fui convidada por um italiano para ser relaçoes públicas do restaurante que ele tem, aqui pertinho de casa (o cara sempre me via trampando para o bar e disse que tava buscando uma pessoa como eu, que conversasse com os clientes, sorrisse...essas coisas que eu sei fazer tao bem). Hoje fui lá conversar sobre horários e valores mas ele ainda tá meio perdido. Me fez uma proposta bem meia-boca, bati o pé no valor que acho justo e ele ficou de me ligar. O melhor de tudo era ver a cara da italianada que trabalhava lá parando pra ver a "exótica" aqui entrar. Eram todos sorrisos e amabilidade. Até almoço me ofereceram mas nao aceitei. Mas o café nao podia passar em branco, italiano legítimo. Tava uma delícia. Nao sei, mas algo me diz que eles vao aceitar me pagar o que eu pedi...